Após levantar acampamento, procurei me afastar bem rápido do local para não ser rastreado pelos ogros. Devido ao terreno irregular, não era possível ir muito rápido, uma torção, uma fratura poderia matar a mim ou a Kron. Estas colinas são perigosas. Muitos monstros perigosos e agressivos habitam estas florestas.
Chegando ao alto de mais uma colina, pude ver a cidade ao longe, num vale, a apenas mais um dia daqui. Mais perto, vejo um reflexo brilhante, entre as árvores, logo a baixo, vindo do vale. Meu cantil está ficando vazio então, vai ser bom uma lagoa, para encher o cantil e relaxar um pouco nas águas calmas.
De cima da colina, a lagoa parecia inacessível. Terreno escarpado, a lagoa fica à beira de uma encosta íngreme com pedras afiadas e pontiagudas. Todas essas dificuldades desanimariam qualquer viajante mas, eu estou sem água e, acima de tudo, preciso lavar meus ferimentos da batalha e relaxar por algum tempo.
Fiquei um tempo parado olhando e estudando o melhor jeito de chegar até lá. É desanimador ver a dificuldade de encontrar um jeito "seguro" de descer até a lagoa. Kron não poderia ir até a lagoa por motivos óbvios, não sei se valeria a pena ir até lá só para pegar um pouco de água sendo que a próxima cidade está a apenas um dia de distância, mas quanto mais eu pensava no risco de ir até a lagoa, mais eu queria chegar lá.
Resolvi que a melhor forma era subir a encosta. Desci com Kron até o pé da colina, o deixei amarrado numa árvore e comecei a procurar por falhas na parede de pedra por onde eu poderia subir. Encontrei uma falha que ia até o topo e comecei a escalar.
Foi uma subida difícil e me machuquei um pouco até conseguir chegar à lagoa mas valeu todo o esforço. O lugar é deslumbrante! A água da lagoa é cristalina, dava para ver os peixes nadando. Fiquei tão hipnotizado com toda a harmonia daquele lugar que, por um instante, me esqueci do porque estava lá.
Fui até a margem e peguei um pouco de água, lavei as feridas e bebi um pouco. Aproveitei para me refrescar nas águas límpidas.
Após me refrescar, ao sair da lagoa, tive uma leve impressão de estar sendo observado novamente. Vesti-me, peguei meu arco longo e fui pescar alguns peixes para comer, já que ainda não tinha me alimentado. Amarrei um pequeno cordão atrás da flexa e comecei a lança-las no lago. Peguei dois peixes, embrulhei-os numa folha grande e deixei perto de minhas coisas.
Procurei ao redor da lagoa por uma planta tipicamente aquática que é um ótimo remédio. Por sorte, está lagoa está cheia delas. Peguei um pouco, colequei na boca para triturar bem e coloquei nas feridas para evitar infecções.
Começo a me sentir incomodado, como se alguém estivesse me observando. Eu me virei e, fiquei paralizado. Aquilo era... Magnífico!
No meio da lagoa uma figura feminina. A beleza desta criatura supera as palavras: ela é cativante e perigosa devido às emoções que inspira. Seus cabelos são longos e acobrados, sua pele é perfeita, seus olhos são grandes e suas orelhas são longas e pontudas.

Imagem retirada do Livro dos Monstros 3,5 de D&D
Eu não conseguia me mexer, estava hipnotizado pela beleza daquela criatura. Então, ela se aproximou da margem e disse:
- O que faz em minha lagoa, viajante?
A voz dela era doce e aveludada. Parecia que eu iria perder a consiência a qualquer momento.
- Estava apenas procurando... água... e... comida... - disse com dificuldade - e remédio... para minhas feridas...
Então ela saiu do lago envolta no que parecia um tecido fino e praticamente transparente.
- Já conseguiu o que precisava? - ela perguntou docemente - Então siga sua viagem e não diga sobre nosso encontro à ninguém.
Ela deu um beijo em minha testa e voltou à lagoa e desapareceu submergindo nas águas calmas.
Eu fiquei alí, parado, por algum tempo antes de perceber o que tinha acontecido. Assim que voltei a realidade, peguei minhas coisas e saí de lá o mais rápido possível. Aquela belíssima criatura era uma Ninfa.
As ninfas são a personificação natural da beleza física e as guardiãs dos locais selvagens e sagrados. Elas são tão insuportavelmente encantadoras que mesmo um vislumbre poder matar as pessoas mais fracas. As ninfas odeiam o mal e aqueles que maltratam a natureza por qualquer razão.
Como a própria natureza, ela personifica uma enorme beleza e um perigo imenso. Ela pode ser gentil e graciosa com os mortais que reverenciam os locais selvagens do mundo, mas pode ser implacável com os extratores que retiram mais do que precisam ou tratam a natureza de forma rude. Tive muita sorte de minha jornada não ter acabado hoje.
Assim que consegui descer a encosta, peguei as rédias e continuei meu rumo até a cidade de Kadath.