sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma companhia inesperada

    Kadath é uma cidade muito grande mas, nem de longe uma das maiores do continente. Kadath está mais para um vilarejo comparada à grandes cidades como Talanor ou Celeni mas, o importante, é que terei comida boa e uma cama macia para passar a noite.
    A cidade é cercada por muros que, de longe, não parecem grande coisa mas, ao se aproximar, até as grandes criaturas parecem diminutas. Não tenho problemas para entrar na cidade, os muros não são para proteger a cidade das raças civilizadas como humanos, élfos, anões, halflings, gnomos, ahh! E meio-orcs. Apesar de sua aparência e inteligência serem um pouco prejudicadas, eles são mais civilizados que seus parentes orc e menos que os humanos, mesmo assim ainda é possível se socializar com eles. Apenas evite comentários sobre sua aparência, inteligência e, principalmente, NUNCA DIGA QUE ELE NÃO AGUENTA! Qualquer taverneiro odiaria ter coisas quebradas como cadeiras e mesas em sua taverna.
    Vou em busca de uma estalagem para passar a noite, apesar do tamanho da cidade, ela possui poucas estalagens. Ninguém gosta de passar muito tempo por aqui, a não ser os próprios moradores.
    Depois de procurar por um tempo, encontro uma estalagem chamada Passo de Sete Léguas. Nome estranho para uma estalagem, mas pelo menos tenho um lugar para dormir. Amarro Khron em um dos postes do lado de fora, deixo minhas coisas no quarto, tranco a porta e vou para uma taverna beber alguma coisa.
    Cavalo de Guerra... Não é um mau nome para uma taverna. Há muita bagunça aqui, alguns bardos cantando canções de guerras e vitórias, alguns meio-orcs disputando queda-de-braço. Vou para o balcão, já que as mesas estão lotadas:

 - O que vai querer forasteiro?
 - Cerveja.
 - Aqui está. E não arrume confusão.

    O taverneiro era um centauro enorme. Não é a toa o nome e o espaço atrás do balcão!
    Enquanto bebo minha cerveja, outro humano senta na cadeira ao meu lado, pede uma cerveja e puxa uma conversa comigo:

 - Olá amigo, cerveja da boa, não é?!
 - Com certeza!
 - Qual seu nome?
 - Arkos. E o seu?
 - Radsh. Sou daqui da cidade mesmo e você, de onde vem?
 - Sou de Tida, fica ao sul. É um pequeno vilarejo.


    Ficamos alí um tempo conversando sobre a vida, aventuras, minha passada rápida pela cidade, minha busca solitária... Passado-se algumas horas, me despedi de Radsh, paguei as cervejas que tomei e fui para a estalagem ter, em fim, uma boa noite de sono.
     Ao acordar de manhã, passei na estalagem para comer um belo faisão e poder seguir viagem de barriga cheia. Logo que me sentei, Radsh entra e vem se sentar comigo.Enquanto comemos, ele me pergunta:

 - Estaria interessado em um companheiro de viajem? - Quase engasguei.
 - Um companheiro?
 - Sim! Sempre vivi nesta cidade e o mais longe que fui foi para Élix. Gostaria de conhecer outros lugares, outros continentes, outros mundos...
 - Ow ow ow ow! Vai com calma amigo! Eu disse que não tenho rumo certo e minha viagem pode acabar na próxima cidade.
 - Não tem importância. Viajar sozinho é um tédio e em dois tudo fica mais fácil!
 - Está certo. Pode vir comigo. Será muito bom ter com quem conversar e dividir as tarefas.

    Assim que terminamos de comer, juntamos nossas coisas e seguimos viagem para Rodrus, o último vilarejo antes do monte Miaquia. Para atravessá-lo são cinco dias a pé. Será muito bom ter companhia.