Ao sairmos da tavenar peguei Khron, Radsh pegou seu cavalo Cronk e fomos caminhando em direção aos enormes portões da cidade, de repente, começamos a ouvir uma trombeta de alerta. A cidade começou a se alvorossar e os portões enormes começaram a se fechar.
- Ah não! - disse Radsh.
- O que foi? - perguntei.
- Eles estão atacando a cidade!
- Eles?
- Sim, os trolls!
- Trolls?
- Sim! Eles atacam a cidade, pelo menos, uma vez por semana! Como somos a cidade mais próxima, e por essa região não haver uma fonte de alimento mais abundante, eles tentam nos invadir para se fartarem. Rápido! Precisamos ajudar a proteger a cidade!
- Certo, vamos amarrar os cavalos e procurar uma maneira de ajudar.
Amarramos os cavalos no poste mais próximo e fomos em busca do capitão da guarda da cidade. Ele estava em cima da muralha dando ordens aos soldados e gritando para todos irem para suas casas até que o ataque fosse detido. Subimos até onde ele estava para oferecer nossa ajuda.
- Capitão... Sou Radsh e este é Arkos! Viemos oferecer ajuda para defender a cidade.
- Toda ajuda é bem-vinda! Precisamos de tantos soldados quanto pudermos para defender a cidade! Peguem arco-e-flecha e fiquem a postos na beira da muralha com os outros arqueiros! Vamos dar uma "esquentada" nessa briga!
- Sim senhor! - dissemos juntos.
Pegamos nossos arcos e fomos para a beira da muralha. Eu nunca havia visto um troll pessoalmente, apenas em livros e ouvindo histórias horripilantes sobre eles. Os trolls são grandes bestas bípedes e têm quase o dobro do tamanho de um ser humano, mas são muito magros. Os braços e as pernas são longos e desajeitados. As pernas terminam em pés grandes, com três dedos, e os braços em mãos monstruosas e garras afiadas. Seu couro é emborrachado e seu cabelo é grosso, desgrenhado e parece se contorcer com vida própria. Eles são monstros carnívoros e horrendos, não conhecem o medo e atacam quando estão famintos. Possuem um enorme apetite e devoram tudo, desde lagartas até ursos e humanóides.
Imagem retirada do Livro dos Monstros 3,5 de D&D
A muralha parece muito mais alta vista da beirada. Nos posicionamos e aguardando as ordens. Atrás de todos, haviam várias tochas e flechas com tecido e palhas embebidas em óleo.
Haviam cerca de quatro a cinco trolls. Eles não andam em bandos muito grandes, já que quase não há comida suficiente para uns poucos na mesma região. Eles se aproximavam correndo, como se quisessem derrubar a muralha com os ombros.
- ATENÇÃO!
- ARQUEIROS! - todos pegamos as flechas e as acendemos.
- FOGO!!!
E uma chuva de flechas flamejantes cobriram o céu em direção às criaturas.
- ARQUEIROS!
- FOGO!!!
Os troll devem estar realmente famintos, pois nem mesmo com fogo, seu ponto fraco, eles recuam. Seus corpos se incendiavam como se fosse inflamável. Uns rolavam no chão, outros corriam mais ainda em direção aos portões e à muralha.
- REFORÇAR O PORTÃO! - gritou o capitão.
Os soldados que estavam nos portões colocaram estacas com enormes troncos que eram elevadas com corda e polias e apoiadas em buracos no chão ancorando o portão como uma extensão da muralha. O som das batidas no portão era ensurdecedor.
- JOGUEM O PICHE!
Comportas em cima dos portões se abriram e piche fervendo foi jogado sobre os trolls que tentavam derrubá-lo. Eles saíram grunhindo e gritando, fumaça e bolhas saindo de suas peles.
- ARQUEIROS!
- FOGO!!!
Desta vez, as flechas incendiaram completamente o corpo dos trolls com pixe, e eles saíram correndo, como raios, para dentro da floresta. Com isso, os outros, que também ardiam em chamas e não conseguiam nem arranhar a muralha, os seguiram. A cidade estava segura novamente.
As trombetas soaram novamente, mas agora como um sinal de que o ataque havia cessado.
- Obrigado pela ajuda! - nos disse o capitão - Esses trolls não desistem nunca! Tentamos aliviar um pouco a situação soltando os animais velhos e doentes, mas não temos mais animais nessas condições e os ataques estão ficando mais frequentes. Como é muito difícil matar essas criaturas, não arriscamos uma investida para não sofremos baixas e a cidade desprotegida.
- Não foi nada capitão. Ficamos felizes em ter podido ajudar.
- Aqui, peguem isto como gratidão pela ajuda. - o capitão pega uma bolsa com um punhado de moedas de ouro e nos entrega.
- Muito obrigado, senhor.
- Vocês mereceram, não há muitos na cidade que queiram se arriscar defendendo a própria casa.
Pegamos o dinheiro e voltamos para pegar os cavalos e, finalmente, sair da cidade. Próxima parada: Rodrus, nossa última parada antes de um longo e gelado caminho pelas montanhas.